Projeto prevê criação da “Cidade da Cultura”, mas desativação completa depende de novas vagas no sistema prisional
O espaço atualmente ocupado pelo Complexo Penitenciário da Agronômica, em Florianópolis, deve ser transformado em um grande polo turístico e cultural. A proposta do Governo de Santa Catarina é criar no local a chamada “Cidade da Cultura”, reunindo equipamentos artísticos, áreas de lazer e espaços de convivência.
Apesar do avanço nos estudos, o principal entrave para a execução do projeto ainda é a desativação total da unidade prisional. Atualmente, cerca de 2,6 mil detentos ocupam o complexo, e a transferência depende da criação de novas vagas no sistema prisional do Estado.
O tema foi debatido em audiência pública na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), onde representantes do governo destacaram que não é possível definir um cronograma para a desativação sem a ampliação da estrutura carcerária. A previsão é que esse processo ocorra de forma gradual, com horizonte entre 2027 e 2028.
O projeto da Cidade da Cultura prevê a concessão da área à iniciativa privada por até 35 anos, por meio de parceria público-privada. A empresa responsável deverá realizar a construção, operação e gestão dos espaços.
A proposta inclui a integração com o Centro Integrado de Cultura (CIC), além da ampliação do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), criação de novos espaços expositivos, áreas de convivência, cafés, restaurantes e ambientes voltados a eventos.
Entre os destaques está a possibilidade de construção de um novo teatro com capacidade entre 2 mil e 2,5 mil pessoas, ampliando a oferta cultural da Capital. Atualmente, o Teatro Ademir Rosa, também localizado no CIC, possui cerca de 900 lugares e registra alta taxa de ocupação ao longo do ano.
O projeto também contempla áreas abertas de lazer, espaços multifuncionais e até a instalação de um monumento em homenagem à padroeira do Estado, Santa Catarina de Alexandria.
A área do complexo possui cerca de 173 mil metros quadrados e está localizada em uma das regiões mais valorizadas de Florianópolis. Avaliado em aproximadamente R$ 250 milhões, o terreno abriga a estrutura prisional há quase um século.
A demolição da penitenciária foi iniciada em dezembro de 2025, mas a liberação total da área depende da continuidade da transferência dos detentos, que ainda enfrenta desafios operacionais.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) reconheceu que a estrutura atual não atende plenamente às exigências modernas do sistema prisional e destacou que a destinação do espaço para uso cultural e turístico é considerada relevante para o desenvolvimento da Capital.






