Uma iniciativa que une arte, identidade e inclusão social está mudando a realidade de crianças em Florianópolis. Criado pela primeira bailarina clássica negra de Santa Catarina, Andreia Zaida, o método Sambalé combina a técnica do balé clássico com a força cultural do samba para promover desenvolvimento artístico e fortalecimento da autoestima de meninas em situação de vulnerabilidade social.
O projeto é desenvolvido gratuitamente na Casa Cidades Invisíveis e atende atualmente 16 meninas, com idades entre 7 e 12 anos. Além das aulas semanais de dança, as participantes recebem uniforme, lanche e acompanhamento psicossocial, com apoio de uma equipe formada por psicóloga, assistente social e educadora.
A proposta nasceu da própria trajetória de Andreia Zaida, que também foi Rainha do Carnaval de Florianópolis em 2002. Ao longo da formação como bailarina, ela vivenciou a falta de representatividade de pessoas negras no balé clássico, experiência que inspirou a criação de uma metodologia capaz de unir excelência técnica e valorização da identidade brasileira.
Segundo a bailarina, o nome “Sambalé” surgiu de forma espontânea durante uma entrevista, quando um jornalista utilizou o termo para definir a fusão entre balé e samba. A expressão acabou sendo incorporada e hoje representa uma metodologia baseada na técnica, musicalidade, criatividade e valorização da ancestralidade.
Durante as aulas, as crianças desenvolvem consciência corporal, coordenação motora, ritmo, improvisação, expressão emocional e trabalho em equipe. O método também prioriza o brincar como parte do processo de aprendizagem, respeitando o ritmo e a individualidade de cada participante.
Mais do que ensinar dança, o projeto busca fortalecer o sentimento de pertencimento e mostrar às meninas que elas podem ocupar qualquer espaço sem abrir mão da própria identidade.
Mesmo iniciado em abril deste ano, o projeto já apresenta resultados positivos. Todas as vagas foram preenchidas e nenhuma participante abandonou as atividades. De acordo com a equipe da Casa Cidades Invisíveis, já é possível perceber avanços na autoestima, na disciplina, na convivência e na confiança das crianças, refletindo diretamente no desenvolvimento pessoal e social de cada uma.







