Mais de 40 toninhas são encontradas mortas no litoral de Santa Catarina em 2026

Espécie é considerada criticamente em perigo de extinção; registros ocorreram em sete municípios entre Barra Velha e Governador Celso Ramos

O número de toninhas encontradas mortas no litoral catarinense em 2026 chama a atenção para a situação de uma das espécies de cetáceos mais ameaçadas do Brasil. Desde o início do ano, 44 toninhas foram registradas na área monitorada pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pela Univali – Unidade Penha. Do total, 43 animais foram encontrados mortos.

O levantamento considera o Trecho 4 do monitoramento, que abrange o litoral entre Barra Velha, no Litoral Norte, e Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis. Entre os animais registrados estão três fetos, um filhote e exemplares juvenis e adultos.

Os casos foram registrados em sete municípios. Penha concentra o maior número, com 14 ocorrências, seguida por Barra Velha e Navegantes, com 11 registros cada. Balneário Piçarras teve cinco casos, enquanto Balneário Camboriú, Bombinhas e Itajaí registraram uma ocorrência cada.

Fêmeas gestantes encontradas em Barra Velha

Dois dos casos mais recentes ocorreram em Barra Velha. Nos dias 4 e 6 de agosto, duas fêmeas adultas e gestantes foram encontradas mortas nas praias do Tabuleiro e do Grant.

A primeira pesava cerca de 25 quilos e apresentava bom estado corporal, mas já estava em avançado estado de decomposição. Durante a avaliação externa, os profissionais identificaram uma marca linear no rostro compatível com possível emalhe acidental em rede, além de uma fratura.

Dois dias depois, outra fêmea adulta, com 27,5 quilos, foi localizada na Praia do Grant. Ela também apresentava bom estado corporal e estava gestante. As carcaças foram encaminhadas à Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Univali, em Penha, para necropsia e coleta de amostras biológicas.

O estado avançado de decomposição dificultou a identificação das causas das mortes. Entre as possibilidades estão eventos agudos, como afogamento. A captura acidental em redes de pesca é apontada como uma das principais ameaças à espécie.

Espécie está criticamente ameaçada

A toninha (Pontoporia blainvillei) está, desde 2014, na Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, classificada na categoria “criticamente em perigo”.

Além da captura acidental pela atividade pesqueira, a espécie enfrenta ameaças relacionadas à poluição dos oceanos e à degradação do ambiente marinho.

A reprodução lenta aumenta a preocupação com a mortalidade. As fêmeas costumam ter apenas um filhote a cada dois ou três anos e a gestação dura aproximadamente 11 meses.

Os animais encontrados nas praias são recolhidos pelas equipes do PMP-BS e passam por procedimentos como avaliação das condições das carcaças, coleta de dados biométricos, necropsia e retirada de amostras biológicas. As informações contribuem para os estudos sobre a ocorrência da espécie e as ameaças enfrentadas no litoral.

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos é desenvolvido como condicionante do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para atividades da Petrobras relacionadas à produção e ao escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

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